sábado, 25 de setembro de 2010

Clipe Chico Buarque - Meu caro amigo.

Apesar de você - Chico Buarque

i

A redemocratização

Na história do Brasil, dois processos ocorridos em períodos distintos recebem essa designação: o primeiro, culminado em 1945, com a deposição de Getúlio Vargas, dando fim a uma ditadura iniciada com o golpe de 1937; no segundo, após o período ditatorial iniciado com o Golpe de 1964, o processo de redemocratização teve início no governo do general João Baptista Figueiredo, com a anistia aos acusados ou condenados por crimes políticos, processo perturbado pela chamada linha dura.




Em dezembro de 1979, o governo modificou a legislação partidária e eleitoral e restabeleceu o pluripartidarismo. A Arena transformou-se no Partido Democrático Social PDS, e o MDB acrescentou a palavra partido à sigla, tornando-se o PMDB. Outras agremiações foram criadas, como o Partido dos Trabalhadores PT e o Partido Democrático Trabalhista PDT, de esquerda, o Partido Popular PP e o Partido Trabalhista Brasileiro PTB, de centro-direita. Alguns partidos, como o Partido Comunista do Brasil ainda permaneceram proibidos.



Com o agravamento da crise econômica, inflação e recessão, os partidos de oposição ao regime cresceram; da mesma forma fortaleceram-se os sindicatos e as entidades de classe.



Em 1984, o País mobilizou-se na campanha pelas "Diretas Já". A partir do governo Ernesto Geisel, entre 1974 e 1979, a crise econômica do país e as dificuldades do regime militar agravam-se. A alta do petróleo e das taxas de juros internacionais desequilibra o balanço brasileiro de pagamentos e eleva a inflação. Além disso, compromete o modelo de crescimento econômico, baseado em financiamentos externos. Apesar do encarecimento dos empréstimos e do crescimento acelerado da dívida externa, o governo não interrompe o ciclo de expansão econômica do começo dos anos 70 e mantém os programas oficiais e os incentivos aos projetos privados. Ainda assim, o desenvolvimento industrial é afetado e o desemprego aumenta.



Nesse quadro de dificuldades, o apoio da sociedade torna-se indispensável. Para consegui-lo, Geisel anuncia uma "distensão lenta, gradual e segura" do regime autoritário em direção à democracia. Entre 1980 e 1981, prisões de líderes sindicais da região do ABC paulista, entre eles Luís Inácio Lula da Silva presidente do recém-criado Partido dos Trabalhadores (PT), atentados terroristas na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e no centro de convenções do Riocentro, no Rio de Janeiro, revelam as grandes dificuldades da abertura. Ao mesmo tempo, começa a se formar um movimento suprapartidário em favor da aprovação da emenda constitucional, proposta pelo deputado federal mato-grossense Dante de Oliveira, que restabelece a eleição direta para a Presidência da República. A campanha das Diretas Já espalha-se em grandes comícios, passeatas e manifestações por todo o país.



Em 25 de janeiro de 1984. O cenário é a Praça da Sé, centro da cidade de São Paulo. Marcado para o dia do aniversário da cidade de São Paulo, o primeiro grande comício da campanha por eleições diretas para presidente foi organizado por Franco Montoro, governador paulista. Participaram também diversos partidos políticos de oposição, além de lideranças sindicais, civis e estudantis. A expectativa era das mais tensas. O governo militar tentava minar o impacto do evento. O dia estava chuvoso. Aos poucos, a praça foi lotando e, no final, cerca de 300 mil pessoas gritavam por "Diretas já!" no centro da cidade.



Declarando apoio à emenda constitucional do deputado federal Dante de Oliveira que permitia a eleição direta para a Presidência da República. Mas a emenda foi derrotada na Câmara dos Deputados em votação realizada em 25 de abril: não alcançou número mínimo de votos para ser aprovada.



Em 15 de janeiro de 1985, o governador de Minas Gerais Tancredo Neves foi eleito Presidente da República pelo Colégio Eleitoral, com José Sarney como vice-presidente, derrotando o candidato da situação, o deputado federal Paulo Maluf, por 480 a 180 votos e 26 abstenções. Tancredo, porém, foi internado em Brasília, um dia antes da cerimônia de posse. Foi submetido a várias cirurgias mas seu estado de saúde só se agravou. Até que, para grande pesar e comoção dos brasileiros, Tancredo faleceu em 21 de abril de 1985 em Cidade de São Paulo. Sarney assumiu a Presidência no dia 15 de março, dando fim a 21 anos de ditadura militar no Brasil. Mas a redemocratização só foi completa com a promulgação da Constituição de 88,a Constituição Federal, em 5 de outubro de 1988.

Chico Buarque - Cálice - Clip Ditadura

Regime militar no Brasil (1964–1985)

O Regime militar no Brasil, iniciado com o golpe de 31 de março de 1964, resultou no afastamento do Presidente da República de jure e de facto, João Goulart, assumindo o poder o Marechal Castelo Branco. Este golpe de estado, qualificado por personagens afinados como uma revolução, instituiu uma ditadura militar, que durou até a eleição de Tancredo Neves em 1985. Os militares então justificaram o golpe, que eclodiu cinco anos após o alinhamento cubano à União Soviética, governado por Nikita Khruschov, sob alegação de que havia uma ameaça comunista, afirmando ter eclodido no caso uma contrarrevolução, fortemente contestada principalmente pela historiografia marxista.[1][2]




O golpe de Estado marcou a influência política do Exército Brasileiro e sua determinação em tomar o poder do país ao abrigo de uma doutrina de segurança nacional formado no âmbito da política do comércio exterior americano e de outras países influentes como a França. O intervencionismo militar no Brasil remonta ao Império (1822-1889), mas, segundo estudiosos é a primeira vez no Brasil, mas também na América Latina que o militar está adquirindo poder afirmando abertamente a doutrina da segurança nacional.[3][4]



Entre as figuras históricas civis afinadas com o movimento militar, estão os governadores Magalhães Pinto (Minas Gerais), Adhemar de Barros (São Paulo) e Carlos Lacerda (Guanabara, atual Estado do Rio de Janeiro).



A ditadura pôs em prática vários Atos Institucionais, culminando com o AI-5 de 1968 a suspensão da Constituição de 1946, a dissolução do Congresso Brasileiro, a supressão de liberdades individuais e a criação de um código de processo penal militar que permitiu que o Exército brasileiro e a polícia militar do Brasil pudessem prender e encarcerar pessoas consideradas "suspeitas", além de qualquer revisão judicial. [5] O regime militar durou até a eleição de um civil, Tancredo Neves, em 1985.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Edson Gomes - História do Brasil

História do Brasil - Edson Gomes

Eu vou contar pra vocês
 Certa história do Brasil
Foi quando Cabral descobriu
Este país tropical
Um certo povo surgiu
Vindo de um certo lugar
Forçado a trabalhar neste imenso país
E era o chicote no ar
E era o chicote a estalar
E era o chicote a cortar
Era o chicote a sangrar
Um, dois, três até hoje dói
Um, dois, três, bateu mais de uma vez
Por isso é que a gente não tem vez
Por isso é que a gente sempre está
Do lado de fora
Por isso é que a gente sempre está
Lá na cozinha
Por isso é que a gente sempre está fazendo
O papel menor
O papel menor
O papel menor
Ou o papel pior

Chaves 1973- Independência do Brasil

http://www.youtube.com/watch?v=o-3nBDsC6UI

Legião Urbana - O Descobrimento do Brasil

GRAMÁTICA E IDEOLOGIA

Lucchesi, Dante; Lobo, Tânia. Gramática e Ideologia. Pg. 73- 81.




O artigo apresentado por Lucchesi e Lobo faz uma abordagem da colocação dos pronomes oblíquos átonos, baseada em uma pesquisa feita por cinco gramáticas normativas da língua portuguesa editada no Brasil, com a utilização de dados obtidos em corpus extraídos do corpus do Projeto de Estudos da Norma Lingüística Urbana Culta (NURC).


As cincos gramáticas utilizadas foram: Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha, a Nova Gramática do Português Contemporâneo de Celso Cunha e Lindley Cintra, a Novíssima Gramática da Língua Portuguesa, de Domingos Cegalla, a Moderna Gramática Portuguesa , de Evanildo Bechara e a Gramática Normativa da Língua Portuguesa de Rocha Lima. Também foram observados 18 inquéritos que foram: nove inquéritos do corpus do projeto NURC/SP, seis do tipo EF(Evolução Formal), três do tipo D2(Dialogo entre dois Informantes), destacando que o projeto NURC foi desenvolvido em conjunto com cinco capitais brasileiras e as informações utilizadas foram apenas de pessoas com essas características: ser natural de capital estudada, ser filho de pais naturais da mesma capital e ter curso superior completo.


A seguir é abordado o conceito da norma culta e a norma padrão. A norma culta na visão de EUGÊNIO Coseriu em seu trabalho “Sistema, Norma e Fala”, se configura pela variação facultativa normal, ou seja, por modelos sem valor funcional dentro do sistema lingüístico, fixados pelo costume, hábito ou pela tradição. Por outro lado a norma padrão compreende os modelos apresentados e prescritos pelas gramáticas normativas.


Lucchesi e Lobo ainda salientam que essa distinção entre norma padrão e norma culta nem sempre é feita, mas o que acontece é que essas duas expressões são muitas vezes apresentadas como equivalentes, sendo comum ouvir-se norma padrão ou culta. Um desses raciocínios, é que a norma culta ou padrão é aquela usada pelas pessoas cultas e as pessoas cultas são aquelas que utilizam a norma padrão ou culta.


A seguir os autores estabelecem um confronto entre o modelo da norma culta na colocação dos pronomes oblíquos átonos com um só verbo depreendido da amostra do corpus do projeto NURC, e o modelo norma padrão, obtido pela síntese das prescrições contidas nas cincos gramáticas anteriormente citadas.


Inicialmente foram destacadas três afirmações: a primeira foi a de Cunha 1981, que diz: ”Sendo o pronome átono objeto direto ou indireto do verbo, a sua posição normal é ÊNCLISE”; a segunda foi a de Cunha/Cintra 1985, que diz: “Sendo o pronome objeto direto ou indireto do verbo, a sua posição lógica normal é a Ênclise, e por último a terceira de Rocha Lima 1976, que diz: “A posição normal dos pronomes átonos é depois do verbo(ÊNCLISE)”.


Após isso o sinclitismo é apresentado ar partir de determinados contextos sintáticos que favoreciam, ou indicariam uma das possibilidades de colocação do pronome completo átono. Com isso percebeu-se que não há um acordo total entre as cincos gramáticas observadas.


A nova gramática do português contemporâneo, de Celso Cunha e Lindey Cintra se destaca na colocação dos pronomes átonos no Brasil, elas fazem a seguinte indicações que se contrapõem ás prescrições colocadas: primeiro a possibilidade de se iniciar frases com os pronomes oblíquos átonos, em especial com a forma me.


Segundo a preferência pela próclise nas orações absolutas, principais e coordenadas não indicadas por palavras que exijam ou aconselhem tal ação.


Os resultados obtidos nos corpos indicam que os contextos em que as prescrições normativas discriminam os autores que o fazem explicitamente como o verbo indicado no período na oração assindética na Rocha Lima1976, Bechara 1982 e Cegala 1979, o verbo precedido exclusivamente por sujeito nominal ou sendo o sujeito seguido por aposto ou oração adjetiva, Rocha Lima, o verbo procedido unicamente por conjunção coordenativa Rocha Lima, orações reduzidas de gerúndio, executando-se as introduzidas pela preposição em Rocha Lima e Cegala e a pausa entre o verbo e termo antecedente que “pode prejudicar a próclise” Celso Cunha, Cintra, Cegala e Rocha Lima.


Com a exposição dos resultados obtidos nos confrontos foi concluído que a primeira constatação que se impõe é a que existe para sínclise pronominal uma significativa disparidade entre o modelo encontrado no corpus, considerados como amostra da norma culta.


A identificação que as gramáticas em geral ofereceram entre a norma padrão e a norma culta constitui um dos traços ideológicos presentes nessa variante do conhecimento formalizado da língua que é gramática. Foi percebido que as gramáticas normativas se baseiam em uma norma que predominam a ênclise, ao passo que a norma depreendida nos atos de falas das pessoas cultas, no Brasil a próclise predomina.


Foi também analisado pela gramática que ocorreu uma total subversão do modelo proposto pelas gramáticas normativas, que sobre a sínclise pronominal, nada mais fez do que descrever a norma européia do português e ficou evidente no caráter ideológico na abordagem das diversas gramáticas se reportaram do modelo brasileiro e fundamentaram-se no modelo do português europeu, mas ressalva a norma gramática do português contemporâneo de Cunha e Cintra que, embora não de maneira cabal, procuraram em seu texto principal apresentar a colocação pronominal brasileira.


Nesse artigo Lucchesi e Lobo procuraram na medida das possibilidades demonstrarem o caráter ideológico e gramatical como se apresenta, isso com a compreensão de que as mudanças que se fazem necessária nesse campo específico do saber transcendem a esfera da atuação individual dos gramáticos, pois implicam não só nas mudanças, mas na mentalidade e no pensamento predominante dentro e fora do circulo especifico desse estudo como também nas mudanças das próprias relações sociais, as quais esse pensamento e essa mentalidade se expressam.

REFLETINDO SOBRE A PRÁTICA DA AULA DE PORTUGUÊS

ANTUNES, Irandé. Aula de português: encontro & interação. 7. ed São Paulo: Parábola, 2009. 181 p. (Série aula; 1) ISBN 9788588456150 (broch.).Pg. 19-37.



Antunes inicia o seu texto ao relatar a persistência de uma pratica pedagógica realizada no estuda da língua portuguesa desde o inicio do ensino fundamental, que é a de manter uma perspectiva reducionista do estudo da palavra e da frase descontextualizada. Dessa forma deixa-se de ser trabalhada na linguagem a função mais importante que é a interação social.




A autora ainda salienta que embora se tenha feito muitas ações para motivar e fundamentar uma reorientação desta pratica, nota-se que ainda são iniciativas, eventuais e isoladas. Esse tipo de ensino reducionista contribui somente para persistir o quadro nada animador do ensino escolar, que se manifesta de diversas maneiras como: a descoberta dos alunos de que ele “não sabe português”, de que o português é uma língua muito difícil, e com isso se manifesta também a aversão as aulas de português e a evasão escolar.




Para Antunes há uma serie de ações que as instituições governamentais, em todo nível, que tem empreendido a favor de uma escola mais eficiente. Essas ações acontecem tanto na área da formação e capacitação dos professores, como na avaliação. Ela diz que isso foi o que resultou na elaboração e divulgação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), também o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), com o objetivo de avaliar o desempenho escolar de alunos de todas as regiões do país para oferecer ao próprio Governo Federal e aos Estados, subsídios para redefinição de políticas educacionais mais consistentes e relevantes.




De acordo com os PCN os conteúdos de língua portuguesa devem ser articulados em torno de dois grandes eixos: o do uso da língua oral e escrita e o da reflexão acerca desses usos. Já, os conteúdos gramaticais não têm nenhuma atenção na forma e seqüência tradicional, como aparecia nos programas de ensino de antes.




A orientação do SAEB, não é diferente da do PCN, pois os pontos chamados de descritores que são aqueles que constituem as matrizes de referencias para elaboração das questões das provas que contemplam apenas um conjunto de habilidades e competências em compreensão, mas nada de definições ou classificações gramáticas, e essas competências são avaliadas em texto, de diferentes tipos, gêneros e funções.




O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), em relação a língua portuguesa tem oferecido ótimas pistas para produção dos manuais de ensino.




Antunes também indaga a respeito do que acontece nas praticas pedagógicas de ensino do português, ela fixa em quatros campos; o da oralidade, o da escrita, o da leitura e o da gramática.




Na oralidade, segundo a autora contata que nas atividades realizadas ocorre praticamente uma omissão da fala como objeto de exploração no trabalho escolar, para ela essa omissão provavelmente aconteça devido a crença ingênua de que os usos orais da língua portuguesa estão ligados á vida de todos nós e por isso não precisa ser feita em uma atividade escolar. Também é atribuída a uma equivocada visão da fala, como um lugar privilegiado para a violação das regras da gramática.




Na escrita se encontra em uma atividade de leitura centrada nas habilidades mecânicas de decodificação da escrita, sem dirigir a aquisição de tais habilidades para dimensão da interação verbal.




Com base em uma pesquisa realizada por Lilian Martin da Silva (1986), com os alunos de uma escola publica de Campinas, as respostas desses alunos denunciam as estreitezas com que algumas escolas têm considerado os objetivos de uma aula de português, pois muitos dos alunos disseram que não liam durante as aulas porque não sobrava tempo, ou que a professora achava que perderiam muito tempo de aula, e ainda outros disseram que os professores se preocupavam com a gramática e a redação. Quando indagados sobre o motivo pelo qual não havia tempo para leitura os alunos disseram que tinha que adiantar a matéria, também que atrapalhava o professor em suas explicações e que as aulas eram mais importantes.




Percebe-se que a compreensão deturpada que se tem da gramática da língua e de seu estudo tem feito um imenso entrave á ampliação da competência dos alunos para a fala, a escuta, a leitura e a escrita de textos adequados e relevantes.




No campo da gramática, o seu ensino se encontra descontextualizada, dos usos reais da língua escrita ou falada na comunicação do cotidiano. Uma gramática fragmentada. De frases inventadas, da palavra e da frase isoladas, sem sujeitos interlocutores, sem contexto e sem função. Também foi observada uma gramática das excentricidades, de pontos de vista refinados, mas muitas vezes inconsistentes, pois se apóiam apenas em regras e casos particulares.




“Antunes, finaliza o seu texto ao falar da gramática predominante prescritiva preocupada apenas com o marcar “certo” e o “errado”, como se falar e escrever corretamente, não importando o que se diz, e se tem algo a dizer.




O modo como é ministrado às aulas de português pelos professores tem contribuído para o desinteresse dos alunos com essa disciplina tão importante e contribuída para a evasão escolar. Por isso é necessário torná-la real para os alunos, isso trazendo para eles textos relacionados com o seu cotidiano nas suas atividades pedagógicas, a fim de conseguir tirar o centro de interesse a análise puramente metalingüística que ainda prevalece nos ensinos atuais.