segunda-feira, 6 de setembro de 2010

REFLETINDO SOBRE A PRÁTICA DA AULA DE PORTUGUÊS

ANTUNES, Irandé. Aula de português: encontro & interação. 7. ed São Paulo: Parábola, 2009. 181 p. (Série aula; 1) ISBN 9788588456150 (broch.).Pg. 19-37.



Antunes inicia o seu texto ao relatar a persistência de uma pratica pedagógica realizada no estuda da língua portuguesa desde o inicio do ensino fundamental, que é a de manter uma perspectiva reducionista do estudo da palavra e da frase descontextualizada. Dessa forma deixa-se de ser trabalhada na linguagem a função mais importante que é a interação social.




A autora ainda salienta que embora se tenha feito muitas ações para motivar e fundamentar uma reorientação desta pratica, nota-se que ainda são iniciativas, eventuais e isoladas. Esse tipo de ensino reducionista contribui somente para persistir o quadro nada animador do ensino escolar, que se manifesta de diversas maneiras como: a descoberta dos alunos de que ele “não sabe português”, de que o português é uma língua muito difícil, e com isso se manifesta também a aversão as aulas de português e a evasão escolar.




Para Antunes há uma serie de ações que as instituições governamentais, em todo nível, que tem empreendido a favor de uma escola mais eficiente. Essas ações acontecem tanto na área da formação e capacitação dos professores, como na avaliação. Ela diz que isso foi o que resultou na elaboração e divulgação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), também o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), com o objetivo de avaliar o desempenho escolar de alunos de todas as regiões do país para oferecer ao próprio Governo Federal e aos Estados, subsídios para redefinição de políticas educacionais mais consistentes e relevantes.




De acordo com os PCN os conteúdos de língua portuguesa devem ser articulados em torno de dois grandes eixos: o do uso da língua oral e escrita e o da reflexão acerca desses usos. Já, os conteúdos gramaticais não têm nenhuma atenção na forma e seqüência tradicional, como aparecia nos programas de ensino de antes.




A orientação do SAEB, não é diferente da do PCN, pois os pontos chamados de descritores que são aqueles que constituem as matrizes de referencias para elaboração das questões das provas que contemplam apenas um conjunto de habilidades e competências em compreensão, mas nada de definições ou classificações gramáticas, e essas competências são avaliadas em texto, de diferentes tipos, gêneros e funções.




O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), em relação a língua portuguesa tem oferecido ótimas pistas para produção dos manuais de ensino.




Antunes também indaga a respeito do que acontece nas praticas pedagógicas de ensino do português, ela fixa em quatros campos; o da oralidade, o da escrita, o da leitura e o da gramática.




Na oralidade, segundo a autora contata que nas atividades realizadas ocorre praticamente uma omissão da fala como objeto de exploração no trabalho escolar, para ela essa omissão provavelmente aconteça devido a crença ingênua de que os usos orais da língua portuguesa estão ligados á vida de todos nós e por isso não precisa ser feita em uma atividade escolar. Também é atribuída a uma equivocada visão da fala, como um lugar privilegiado para a violação das regras da gramática.




Na escrita se encontra em uma atividade de leitura centrada nas habilidades mecânicas de decodificação da escrita, sem dirigir a aquisição de tais habilidades para dimensão da interação verbal.




Com base em uma pesquisa realizada por Lilian Martin da Silva (1986), com os alunos de uma escola publica de Campinas, as respostas desses alunos denunciam as estreitezas com que algumas escolas têm considerado os objetivos de uma aula de português, pois muitos dos alunos disseram que não liam durante as aulas porque não sobrava tempo, ou que a professora achava que perderiam muito tempo de aula, e ainda outros disseram que os professores se preocupavam com a gramática e a redação. Quando indagados sobre o motivo pelo qual não havia tempo para leitura os alunos disseram que tinha que adiantar a matéria, também que atrapalhava o professor em suas explicações e que as aulas eram mais importantes.




Percebe-se que a compreensão deturpada que se tem da gramática da língua e de seu estudo tem feito um imenso entrave á ampliação da competência dos alunos para a fala, a escuta, a leitura e a escrita de textos adequados e relevantes.




No campo da gramática, o seu ensino se encontra descontextualizada, dos usos reais da língua escrita ou falada na comunicação do cotidiano. Uma gramática fragmentada. De frases inventadas, da palavra e da frase isoladas, sem sujeitos interlocutores, sem contexto e sem função. Também foi observada uma gramática das excentricidades, de pontos de vista refinados, mas muitas vezes inconsistentes, pois se apóiam apenas em regras e casos particulares.




“Antunes, finaliza o seu texto ao falar da gramática predominante prescritiva preocupada apenas com o marcar “certo” e o “errado”, como se falar e escrever corretamente, não importando o que se diz, e se tem algo a dizer.




O modo como é ministrado às aulas de português pelos professores tem contribuído para o desinteresse dos alunos com essa disciplina tão importante e contribuída para a evasão escolar. Por isso é necessário torná-la real para os alunos, isso trazendo para eles textos relacionados com o seu cotidiano nas suas atividades pedagógicas, a fim de conseguir tirar o centro de interesse a análise puramente metalingüística que ainda prevalece nos ensinos atuais.








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