quarta-feira, 23 de março de 2011

Ensinar a ensinar: didática para a escola

CASTRO, Amélia Domingues de; CARVALHO, Anna Maria Pessoa de. Ensinar a ensinar: didática para a escola fundamental e média. São Paulo: Pioneira, 2001. 195 p. ISBN 8522102422 (broch.). Pg. 13-37.


O texto inicia-se com um poema “As pedrinhas” de Melo Neto, e em seguida a autora lança várias perguntas e questiona se as perguntas feitas podem ser consideradas como um processo de aprendizagem. Assim ela passa a dizer que pode afirmar que houve uma comunicação e diz que o diálogo e a resposta constroem um esforço para transmitir conhecimentos e habilidades a quem deles não disponha, afirmando assim que pode se ensinar através de diálogo.

Segundo a autora o processo de ensino poderia ser examinado apenas como a especial modalidade do processo de comunicação e informação. Ela passa a citar que a televisão pode servir para transmissão de um noticiário e de uma aula.

Amélia diz a respeito da primeira peculiaridade do processo de ensinar, a intencionalidade, ou seja, pretender ajudar alguém a aprender. Isso acontece numa relação interpessoal direta ou em procedimentos de transmissão á distancia, haverá forçosamente, alguma coisa. Também é mencionado o autodidatismo, se refere ao aprendizado por conta própria, e por mais difícil que seja admitir que alguém ensine a si mesmo, deve ser reconhecido, pois esse fato existe , ocorrendo um duplo papel em que o ensinante e o aprendiz são exercidos pela mesma pessoa.

Castro denomina o “ensinate” como aquele que assume, em alguma coisa circunstância, a deliberação de ensinar, embora o modelo executor dessa tarefa seja um professor, termo assumido conotação profissional.

A autora aborda o surgimento da didática espontânea consiste na elaboração de ensinar o pré-consciente e nem sempre emerge claramente como um evento especifico, e o ensino se dá como entre os primitivos, através de participação, experiências compartilhadas ou atos que convidam a imitação.

No aspecto formal a didática é organizada, planejada, deliberada, escolarizada em etapas e subdivididas conforme as características aos produtos do ensino. O ideal da didática sempre foi que o ensino produzisse que este, com aprendizado, se tornem diferente, um melhor mais capaz e sábio.

Dessa forma os processos de ensino estão ligados a educação, e o ensino educativo permanecem como referencial da didática. É comum associar o conceito de ensino a idéia de instrução, que muitas vezes diz a transmissão ao saber, mas também indica aquisição de algum conteúdo cognitivo, instrução moral e cívica, formação de atitudes e valores como hábito e habilidades.

O conhecimento escolar não deve ser difundido como informação ou conteúdos programáticos, mais implica no próprio processo de sua construção pelos alunos. De modo que essa implicação ultrapassa os limites entendidos usualmente como instrução e releva um esforço intelectual, já que envolve o funcionamento da inteligência e amplia suas possibilidades de conhecer.

Entendendo os conteúdos como aquisição por meio do qual a aprendizagem deveria ser permanente, observa-se que sempre isso é alcançado. Amélia ainda diz que é fácil reconhecer a pendência de vários fatores, mas isso não basta é necessário admitir que a construção de “instrumentos intelectuais” permite aprenderem a expandir tornando tais aquisições elementos disponíveis para o pensamento e ação do sujeito esta é a meta maior do ensino educativo.

As situações das didáticas não dão espaço que o sujeito construa sua inteligência, fixando-se no sujeito no sentindo mais restrito da atividade do ensino. Ignorando o seu potencial para desenvolver as condições de aprendizagens futuras.

De maneira que não basta reconhecer as dificuldades de aprendizagem dos alunos que não conseguem atingir os níveis esperados em determinadas atividades, é necessário que os “ensinantes” reconheçam como sua função levá-los progressivamente a esses níveis.

Assim o ensinar é transformar, incentivar, instigar, provocar, talvez, desafiar, e a didática apóia-se no conceito do ensino. No entanto a dificuldade da didática é encontrada pela relação especial que se estabelece entre o ensino e a aprendizagem. O pensamento de Piaget descreve o modo pelo qual a didática vem construindo por dizer: “a natureza de uma realidade viva, não é revelada nem por seus estágios iniciais, nem por seus estágios terminais, mas pelo próprio processo de suas transformações.

Com isso o ensinar se torna um a realidade que pode ser interrogada, pesquisada em suas modalidades, seus sucessos e seus fracassos escolares, mas também uma reflexão sobre o seu significado na formação da personalidade e suas conseqüências para a vida social.

O interessante é que a maior parte dos fracassos escolares é atribuída ao aluno e ao potencial que ele dispõe como aprendiz e os sucessos, aos professores ou aos métodos. Contudo essa é uma operação que contém muitas variáveis, umas relacionadas ás condições cognitivas e afetivas do aluno, outras á atuação, aos recursos e métodos utilizados e ao mesmo tempo o contexto socioeconômico inseridos.

Todavia no texto de Amélia destacam-se duas formas opostas de aprendizagem: o natural e o artificial. A aprendizagem natural se dar de forma prazerosa, fácil e desejável. Também é espontânea ao qual Rousseau foi um percussor e Dewey nas correntes escolanovistas.

Quanto ao artificialismo revela desconfiança pelo espontâneo e exige do aluno, um esforço de organização metodológica, parte lógica, parte psicológica, que conduz o processo sem permitir desvios. Para a autora essa forma de ensino é semelhante ao domesticar, treinar, condicionar. E esse processo deve ser apoiado em exercícios, repetições e memorização.

A primeira dificuldade na didática para ela foi o encontro de critérios para se fazer distinção entre sistemas, métodos, modos, formas e mais recentemente técnicas e estratégias. A segunda encontra-se na caracterização de cada um desses procedimentos para ensinar, de modo a destacar sua organicidade: ativos ou tradicionais, indutivos e assim por Dante.

Atualmente a didática vem sendo ampliada, por um processo de assimilação, apropriação de temas que não pertence a sua origem e são considerados agora como importantes como: explicar, compreender a realidade do ensino e orientá-la abrangendo temáticas sociais, ou seja, as relações humanas dentro da classe e entre a escola e a comunidade.

Nesse texto percebe a importância da didática na aprendizagem, bem como suas origens dificuldades e a sua ampliação, não existe ensino e aprendizagem sem a didática, não importa os conteúdos, disciplinas e tipos de educação como: a educação formal geralmente aprendida nas escolas, e a educação informal que atinge todas as formas de aprendizagens existentes. A didática está presente em todas as formas de ensino, pois o próprio ensinar a constitui.

3 comentários:

  1. ADOREI SEU TEXTO.BEM MAIS FÁCIL DE COMPREENDER O LIVRO E CONSEQUENTEMENTE O QUE A AUTORA QUIS NOS PASSAR.

    OBRIGADA PELA CONTRIBUIÇÃO.

    ZORAIDE MOURA.

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