segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Aprender a ler e a escrever, uma proposta construtivista

TEBEROSK, Ana; COLOMBER, Tereza. Aprender a ler e a escrever, uma proposta construtivista. Porto Alegre: Artmed, 2003. Pg. 15-38.
O texto inicia abordando a influência da teoria condutista que tem sido muito divulgada, nessa teoria a escrita é vista como um processo de codificação e a leitura uma decodificação de unidades gráficas em unidades sonoras. As autoras relatam que a idade ideal para iniciar  a ensino da leitura e escrita seria aos 06 anos, pois nessa idade a criança teria chegado ao nível de desenvolvimento desejado.
A partir de novas pesquisas de ensino surgiu a perspectiva construtivista com os ensinamentos de Piaget, insistindo que para compreender um conhecimento, é necessário reconstruir sua gênese, pois o processo implica em uma evolução, visto que as experiências e os conhecimentos que se desenvolvem fazem parte do processo de aprendizagem (Ferreiro e Teberosk, 1979). Com o construtivismo, a diferença fundamental já não era, mas entre aprendizagens prévias, mas entre as aprendizagens não normativas. Essa perspectiva trouxe uma nova visão da aprendizagem entendendo-a como um processo continuo de desenvolvimento. Para a teoria construtivista não existe um limite entre o pré-leitor e o leitor.
Quanto às perspectivas construtivistas ocorreram duas contribuições: a primeira consiste em considerar que a escrita, a leitura e a linguagem não se desenvolvem separadamente. A segunda consistia que a alfabetização inicial não é um processo abstrato, mas que ocorre em contextos culturais e sociais determinados. Por exemplo, em famílias que a criança interage com materiais e com tarefas de leitura e escrita desde bem cedo, essas interações influenciam na sua aprendizagem convencionais posteriores.
Na linguagem escrita, a sua base social proporciona uma função especial a mais, pois sendo um escrito um objeto simbólico os agentes sociais devem atuar como intérpretes cuja função é transformar essas marcas gráficas em objetos lingüísticos (Ferreiro 1996). Os conhecimentos interativos que fazem parte das primeiras experiências com a linguagem escrita são dois: os conhecimentos elaborados pela criança a partir da interação com os leitores e o material escrito, e os conhecimentos socialmente transmitidos pelos adultos e assimilados pela criança.
Quanto aos conhecimentos elaborados pela criança deveram incluir os conhecimentos que ela desenvolve a partir de sua relação com os textos e entre os conhecimentos transmitidos pelos adultos assimilados pela criança, os quais deveram incluir a linguagem escrita dos livros e suas diferenças com relação á linguagem da conversão, a informação, a simulação, de um ato, a identificação de cartazes, signos e matérias presentes no ambiente. Tanto os conhecimentos elaborados pela criança como os transmitidos pelos adultos parecem estar influenciados pelas condições do ambiente, desenvolvendo se melhor se o ambiente alfabetizador, é rico em materiais escritos e interações e pratica de leitura.
Os estudos têm mostrado que ao compartilhar a leitura de um livro com as crianças pré- escolares não apenas cria uma atividade prazerosa, mas também organiza um importante momento de aprendizagem. A leitura de historias, por exemplo, tem uma importância para o desenvolvimento do vocabulário e para compreensão da linguagem escrita. A leitura em voz alta para crianças pequenas nas quais elas escutam, olham, pergunta e responde são um meio para que entenda as funções e a estrutura a linguagem escrita e pode vir também a ser uma ponte entre a linguagem oral e a escrita.
A seguir as autoras fazem uma lista de praticas de leitura e como elas devem acontecer, entre os temas de sugestão para leitura temos: leitura de historias, interação com material de tipo urbano e doméstico como identificação de signos, logomarcas e rótulos comerciais, leitura de jornais e a leitura em ambientes informatizados.
O texto conclui mencionando que as crianças que realizam práticas de leitura ampliam o seu vocabulário terão um maior proveito da leitura e escrita na escola e reciprocamente, a leitura lhes contribuirão para uma ampliação do vocabulário, enquanto que as crianças que realizam poucas práticas de leitura têm mais dificuldades para entender textos e para produzi-los.

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