segunda-feira, 26 de setembro de 2011

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

Segundo Lemle 2001, alfabetizar é compreender que existe uma relação de simbolização entre as letras e os sons da fala, pois as letras para quem ainda não se alfabetizou, são riquinhos pretos no papel. Já para Magda Soares 2002, a alfabetização é um processo de representação de fonema em grafemas e vice-versa, mas ela ainda diz que também é um processo de compreensão, expressão de significados por meio do código escrito, uma vez que não se poderia considerar uma pessoa alfabetizada, uma pessoa que fosse apenas capaz de decifrar símbolos visuais em símbolos sonoros “lendo” com silabas e palavras isoladas.
O letramento corresponde ao resultado de uma ação, e ele é tão complexo que envolve conhecimentos, habilidades, valores e funções sociais. Soares define letramento ao uso de habilidades da escrita no âmbito social e diz que essas habilidades dizem respeito à tecnologia para leitura de um jornal, para informarão sobre acontecimentos ocorridos na localidade ou no mundo, também para o uso de uma carta para se comunicar ou informar, ou seja, a capacidade de interpretar textos e tirar suas conclusões.  Carvalho 2005 cita o letramento como o resultado da ação de ensinar e aprender as práticas sociais da leitura e escrita, também é o estado ou condição que adquirem um grupo social, ou um individuo como conseqüência de ter-se apropriado da escrita e suas praticas sociais.
Nota-se, porém que infelizmente uma grande parte dos professores de alfabetização compreende o processo da alfabetização como um ato mecânico, separado da compreensão, e quando isso ocorre é um desastre, visto que o ensino de palavras soltas, sílaba isoladas, repetição de exercícios sem finalidade ou até mesmo copias tem resultado em um grande desinteresse e rejeição da escrita pelos educandos.
Com isso percebe-se a grande necessidade de ensinar a ler e a escrever dentro do contexto e da praticas sociais de leitura e escrita, pois a alfabetização e o letramento devem caminhar juntos para que se possam formar sujeitos capazes de interpretar o mundo, compreende-lo e alterá-lo criticamente e assim possam refletir sobre sua condição existente no mundo.

LITERATURA E ALFABETIZAÇÃO( fichamento)

JARDIM, Mara Ferreira. LITERATURA E ALFABETIZAÇÃO. Porto Alegre; Atmed, 2011. Pg. 75-79.

  1. Atualmente é lançada uma grande quantidade de obras infantis e juvenis no mercado e por isso o professor ao realizar um trabalho com leitura tem que ser criterioso, pois existe no mercado uma grande variedade de obras muito boas, mas também muitas de qualidade duvidosa. (Pg. 75)

  1. Dentre os critérios para se garantir uma boa seleção devem ser buscar o interesse da criança pela historia, novas leituras e o se os livros são realmente significativos ou descartáveis. Primeiramente o professor deve está munido de conhecimentos teóricos sobre a importância e a função da literatura infantil na formação da criança e estabelecer objetivos claros do qual pretende desenvolver. Outro ponto de partida a ser considerado é a primeira interação da criança com o livro que se dar através das impressões visuais como: a capa, o tamanho, o formato, o peso, a espessura e a qualidade do papel, tipo de letras usadas, as técnicas de ilustrações e as cores, pois essas características podem atrair ou afastar o leitor infantil e o mais relevante é a faixa etária da criança para quem o livro se destina (Pg. 75).

  1. A ilustração desempenha um papel importantíssimo nos livros infantis, visto que elas enriquecem a imaginação infantil e contribuem para o desenvolvimento do leitor. Werneck, Regina ilustradora de livros infantis ressalta que as ilustrações com detalhes estimulam o raciocínio e a criatividade da criança.  (Pg. 76).

  1. Existem exemplares com ilustrações que complementam a leitura, dentre eles podemos citar: A roupa nova do rei, Lúcia- já –vou-indo e o Gato que pulava em sapato, em especial esse ultimo exemplar citado que desperta diferentes interpretações e discussões (Pg. 76).

  1. Faz-se necessário salientar, porém que as ilustrações têm servido também de meios para reforço de estereótipos e preconceitos, pois personagens más são sempre feias, enquanto que as fadas, príncipes e heróis apresentam um ótimo aspecto. Por exemplo, a avó é geralmente apresentada por uma velhinha de cabelos brancos e coque tricotando, e o avô, por um velho gordo de óculos, a mãe está sempre com o avental e espanador na mão e a empregada, o marginal e o operário são quase sempre negros. Por isso o professor deve reconhecer esses estereótipos e preconceitos para que rejeitem livro com essas lustrações ou prepara-se para discuti-las com seus alunos.  (Pg. 76).

  1. O segundo ponto a ser analisado é o texto propriamente dito, se ele é bem escrito, se conta a historia original, se esta de acordo com a faixa etária a que se destina, se é capaz de despertar a imaginação e suscita problemas ou soluções e que tipo de ideologia perpassa a historia contada. Também deve se levada em conta se o livro apresenta um registro escrito convencional, pois se o leitor estiver na fase da alfabetização isso pode acarretar problemas, uma vez que ele ainda está processando a aquisição do código escrito (Pg. 76).

  1. A originalidade do texto também é significante para que a abordagem dada instigue o tema. A historia de Chapeuzinho vermelho, por exemplo, tem recebido as mais diversas versões no decorrer do tempo (Pg. 77).

  1. A primeira fase da leitura acontece dos 2 aos 6 anos de idade, nesse período a criança faz pouca distinção entre o mundo exterior e o interior, vivendo em momento grande de egocentrismo, mas também é a idade do pensamento mágico e por isso seus primeiros livros devem conter gravuras que apresentem objetos simples, isolados, pertencentes ao meio em que a criança vive, posteriormente podem ser apresentados livros que agrupam objetos, relacionando-os com várias coisas familiares ás crianças (Pg. 77).

  1. A segunda fase acontece dos 5 aos 8 anos e se caracteriza-se como a leitura do realismo mágico, o período que a criança deixar-se levar pela fantasia, é a idade dos contos de fadas e prevalece o texto poético e gosto pelo ritmo e pelas rimas. (Pg. 77).

  1. A fase seguinte é dos 9 aos 12 anos, e nesse momento a criança constrói uma fachada prática realista ordenada nacionalmente, mas continua o seu interesse por contos de fadas e sagas, mas além disso começa a busca por historias de aventuras. No período de 12 aos 15 anos em que eles estão pré-adolescentes predomina a consciência da personalidade e os jovens passam a demonstrar agressividade, a rebeldia, e a formação de Ganges, eles passam a se interessar em livros de aventuras, romances sensacionais, livros de viagens e historias sentimentais. (Pg. 77).

  1. A última fase vai dos 14 aos 17 anos, nesta fase corresponde à maturidade e o leitor começa a se interesse pelo mundo posterior e a sua leitura passa a ser bem mais diversificada, ela abrange aventuras de conteúdos mais intelectuais, livros de viagens e romances históricos, biografias, historias de amor, atualidade e etc. (Pg. 77).

  1. Como as desde bem pequenas as crianças atualmente costumam assistir desenhos animados e muitas até mesmo novelas e filmes ditos para adultos, essas experiências devem ser levadas em conta, visto que elas deixam marcas e aceleram a capacidade da leitura, pois é natural que meninos e meninas, acostumados a assistir as Aventuras das tartarugas Ninjas entre outros não tenha interesse nas tramas do livro infantil considerados para sua faixa etária. (Pg. 78).

  1. O sexo do leitor também precisa ser levado em consideração, já que os meninos tendem a se identificar com historias em que atuem heróis masculinos e o mesmo não acontece com as meninas, de maneira que o professor deve buscar manter o equilibro, apresentando opções para ambos.  (Pg. 78).

  1. O professor deve tomar cuidado com os livros que transmitem ensinamentos morais ou padrões de comportamentos conservadores. (Pg. 78).

  1. As analises de livro em poemas devem receber a mesma preocupação que a dos narrativos, deve ser considerado ilustração, diagramação, qualidade de texto poético e adesão dos temas ao universo infantil. Ao escolher o poema o professor deve evitar aqueles de cunho valor moralizador ou conteúdos pedagógicos que tratam de temas como patrióticos de datas especificas, como dia das mães, dos pais, do índio ou da árvore, que descrevem hábitos de higiene, ou falam de como ser um bom menino, pois são geralmente duvidosas (Pg.79).

Aprender a ler e a escrever, uma proposta construtivista

TEBEROSK, Ana; COLOMBER, Tereza. Aprender a ler e a escrever, uma proposta construtivista. Porto Alegre: Artmed, 2003. Pg. 15-38.
O texto inicia abordando a influência da teoria condutista que tem sido muito divulgada, nessa teoria a escrita é vista como um processo de codificação e a leitura uma decodificação de unidades gráficas em unidades sonoras. As autoras relatam que a idade ideal para iniciar  a ensino da leitura e escrita seria aos 06 anos, pois nessa idade a criança teria chegado ao nível de desenvolvimento desejado.
A partir de novas pesquisas de ensino surgiu a perspectiva construtivista com os ensinamentos de Piaget, insistindo que para compreender um conhecimento, é necessário reconstruir sua gênese, pois o processo implica em uma evolução, visto que as experiências e os conhecimentos que se desenvolvem fazem parte do processo de aprendizagem (Ferreiro e Teberosk, 1979). Com o construtivismo, a diferença fundamental já não era, mas entre aprendizagens prévias, mas entre as aprendizagens não normativas. Essa perspectiva trouxe uma nova visão da aprendizagem entendendo-a como um processo continuo de desenvolvimento. Para a teoria construtivista não existe um limite entre o pré-leitor e o leitor.
Quanto às perspectivas construtivistas ocorreram duas contribuições: a primeira consiste em considerar que a escrita, a leitura e a linguagem não se desenvolvem separadamente. A segunda consistia que a alfabetização inicial não é um processo abstrato, mas que ocorre em contextos culturais e sociais determinados. Por exemplo, em famílias que a criança interage com materiais e com tarefas de leitura e escrita desde bem cedo, essas interações influenciam na sua aprendizagem convencionais posteriores.
Na linguagem escrita, a sua base social proporciona uma função especial a mais, pois sendo um escrito um objeto simbólico os agentes sociais devem atuar como intérpretes cuja função é transformar essas marcas gráficas em objetos lingüísticos (Ferreiro 1996). Os conhecimentos interativos que fazem parte das primeiras experiências com a linguagem escrita são dois: os conhecimentos elaborados pela criança a partir da interação com os leitores e o material escrito, e os conhecimentos socialmente transmitidos pelos adultos e assimilados pela criança.
Quanto aos conhecimentos elaborados pela criança deveram incluir os conhecimentos que ela desenvolve a partir de sua relação com os textos e entre os conhecimentos transmitidos pelos adultos assimilados pela criança, os quais deveram incluir a linguagem escrita dos livros e suas diferenças com relação á linguagem da conversão, a informação, a simulação, de um ato, a identificação de cartazes, signos e matérias presentes no ambiente. Tanto os conhecimentos elaborados pela criança como os transmitidos pelos adultos parecem estar influenciados pelas condições do ambiente, desenvolvendo se melhor se o ambiente alfabetizador, é rico em materiais escritos e interações e pratica de leitura.
Os estudos têm mostrado que ao compartilhar a leitura de um livro com as crianças pré- escolares não apenas cria uma atividade prazerosa, mas também organiza um importante momento de aprendizagem. A leitura de historias, por exemplo, tem uma importância para o desenvolvimento do vocabulário e para compreensão da linguagem escrita. A leitura em voz alta para crianças pequenas nas quais elas escutam, olham, pergunta e responde são um meio para que entenda as funções e a estrutura a linguagem escrita e pode vir também a ser uma ponte entre a linguagem oral e a escrita.
A seguir as autoras fazem uma lista de praticas de leitura e como elas devem acontecer, entre os temas de sugestão para leitura temos: leitura de historias, interação com material de tipo urbano e doméstico como identificação de signos, logomarcas e rótulos comerciais, leitura de jornais e a leitura em ambientes informatizados.
O texto conclui mencionando que as crianças que realizam práticas de leitura ampliam o seu vocabulário terão um maior proveito da leitura e escrita na escola e reciprocamente, a leitura lhes contribuirão para uma ampliação do vocabulário, enquanto que as crianças que realizam poucas práticas de leitura têm mais dificuldades para entender textos e para produzi-los.